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CHespecial
capítulo 19

1996

O ano de 96 foi muito marcante pra mim porque eu era, ainda sou, fã dos Mamonas Assassinas... Fiquei muito, muito triste e impressionado com a morte deles.

Como vocês sabem, eles também adoravam Chaves e Chapolin. E até usavam o uniforme do Chapolin em shows e apresentações.

Naquela época, acredito que por causa dos Mamonas também, começou uma modinha de camisas do Chapolin Colorado. Os bebês que cresceram vendo as séries, agora adolescentes e jovens, passaram literalmente a "vestir a camisa" dos seriados, estampando no peito, com muito orgulho, o famoso coração CH.

Um novo álbum de figurinhas foi lançado naquele ano. Dessa vez, com fotos de episódios do 'Chaves'.

96 representa o fim de uma era, pois naquele ano já não seria mais gravado o programa Chespirito.

Kiko (Carlos Villagrán) veio ao Brasil com seu show e se apresentou em várias cidades do Sul e também esteve em São Paulo para participar de programas do SBT. Ele foi ao Programa Livre com Serginho Groisman e também foi entrevistado pelo Jô Soares. Em 96, "Chaves" era exibido duas vezes ao dia no SBT.

Eu estava no meu quarto lendo um livro. A moça que trabalhava aqui em casa na época, a Francisca, gritou, lá da sala: "Gustavo, olha o Kiko!!". Então eu vi o Kiko no Programa Livre e pensei comigo mesmo, ''como eu gostaria de estar lá, perto dele agora, como aquelas pessoas, e poder dizer o quanto o admiro..."

Eu falei pra Francisca que um dia eu estaria com o Kiko e ela riu da minha cara.

Diante de Serginho Groisman, Villagrán provou aos brasileiros que não usa nada nas bochechas para fazer o personagem. No programa do Jô, Kiko deu um show de humor, agradando uma considerada exigente plateia.

Aproveitando o sucesso do Kiko no Brasil, surgiu um espertalhão se passando pelo Kiko. Esse homem percorreu cidades do sul do país fingindo ser o Kiko e conseguiu enganar muitas pessoas. Chama-se Roberto Vásquez e não merece mais comentários. Lembrando que, naquela época, praticamente ainda não existia Internet no Brasil e as informações sobre "Chaves" eram muito pobres.

María Antonieta de las Nieves, em seus primeiros momentos da carreira solo, descobriu enorme sucesso pois ainda estava super em forma e jovem ainda para dar vida à Chiquinha na TV, no cinema e em shows. A Televisa exibia, em 96, com grande audiência, "Aqui está la Chilindrina". Foram poucos episódios gravados, porém reprisados à exaustão.

Enquanto isso, Chespirito e Florinda Meza atuavam na peça de sucesso absoluto "11 y 12" (escrita pelo próprio Bolaños), fazendo apresentações até em sessões extras para dar conta de tanto público. Florinda também brilhava com sua telenovela "La Dueña" no ar.

Ah, e claro, Michael Jackson gravava o clipe "They don't care about us" no Rio de Janeiro (favela Dona Marta, no morro Santa Marta) e na Bahia (em Salvador, no Pelourinho), junto com o grupo Olodum. Michaeeel, eles não ligam pra gente!!!

E parabéns aos 15 anos do SBT! Confiram essas vinhetas comemorativas de 96:
http://www.youtube.com/watch?v=nnhsOUuW6D0
http://www.youtube.com/watch?v=t_z8iuIBVBg

1997

Florinza Meza produziu, em 97, a telenovela "Alguna Vez Tendremos Alas", na qual atuou Edgar Vivar! As canções desta novela são de Chespirito e a direção ficou a cargo de seu filho, Roberto Gómez Fernández.

O que marcou para os brasileiros foi a estreia do programa Chespirito no Brasil! Em sua divulgação, a rede CNT dizia que se tratava de uma "nova versão do programa Chaves".

Dia primeiro de junho de 1997 (domingo), às 19h: estreia o programa Chespirito na CNT, com quatro quadros: Dr. Chapatin, Chaves (na escolinha), Chômpiras e Chaparron Bonaparte. A abertura e os créditos finais foram exibidos.

O Programa Chespirito era exibido de segunda a sexta em horário nobre, às 20h30m. E aos domingos, mais cedo, às 19h.

Com vocês, senhoras e senhores, um belíssimo texto de meu amigo Eduardo Gouvêa, o Valette Negro, explicando tudo sobre o programa Chespirito. (É que eu quero evitar a fadiga...)

Após a saída de Ramón Valdés (Seu Madruga) e de Carlos Villagrán (Quico) dos seriados, Chespirito continuou a produzir episódios por mais quinze anos. Porém, esses episódios não são aplaudidos de pé como os grandes clássicos de Chaves e Chapolin – até mesmo quadros desses dois personagens foram gravados depois de 1979, sem o mesmo êxito.

Mas o que é exatamente o programa Chespirito? Simples; foi o programa que Chespirito gravou no início da carreira e voltou a gravar em 1980. Consistia em unir os quadros de seus personagens em um único programa – Chaves e Chapolin, no início faziam parte desse programa, mas, devido ao sucesso absoluto, acabaram virando programa individuais, transformando os quadros dos outros personagens em quadros secundários inseridos periodicamente nos programas principais. A partir deste momento, o programa Chespirito deixara de existir.

Chaves e Chapolin foram gravados pelos sete anos seguintes até que o inevitável aconteceu: com a saída de Carlos Villagrán e, posteriormente, de Ramón Valdes das séries, o programa Chespirito ressurgiu.

Dessa vez, Chespirito tirou da manga um trunfo: seu velho personagem Chômpiras ganhava novos e maiores quadros, tornando-se o carro-chefe do programa Chespirito. Outros personagens também foram revividos. E outros foram criados para fazer parte do programa, como Chaparron Bonaparte e Dom Caveira.

Lembremos que no início, Chômpiras fazia parceria com Peterete – interpretado por Ramón Valdes – e, poucas vezes, Botijão – mais tarde parceiro de Chômpiras – apareceu ao lado dos dois.

Quase todos os quadros de Chômpiras tinham duração de quarenta a quarenta e cinco minutos, o que fazia com que o programa do dia tivesse apenas um episódio – quandos os quadros eram curtos, exibia-se até seis ou mais por programa.

Os atores já estavam mais velhos e não tinham mais a agilidade que os consagraram nos anos 70 para correr, pular, cair... Chômpiras é um quadro de piadas textuais, principalmente por parte de Florinda Meza que interpretara Chimoltrúfia, uma mulher de pouca instrução escolar que se dedica muito a falar incorretamente, sendo divertidamente corrigida pelos que estão a sua volta; e também por parte de Rubén Aguirre, que interpretara o desajeitado Refúgio, um desajeitado sargento de polícia, que com suas idiotices sempre crê estar fazendo as coisas corretamente e tenta em vão uma promoção.

Chaparron Bonaparte é outro quadro que não exige agilidade dos atores. São quadros simples e bons; muitas pessoas o consideram o melhor quadros do programa. Chaparron Bonaparte e seu fiel amigo Lucas Tanheda são dois loucos que nem ao menos se dão conta disso e consideram, de forma divertida, que a humanidade inteira, com exceção deles, é que está louca.

Doutor Chapatin era um grande quadro periodicamente inserido nos programas Chaves e Chapolin e que acabou ganhando força maior no programa Chespirito. Seus quadros passaram a ser realizados com maior freqüência – quase em todos os programas de quadros curtos ele aparece. Chapatin é – como todos sabem – um médico veterano, e a coisa que menos suporta na vida são piadas sobre sua velhice. É apaixonado por sua enfermeira – interpretada por Florinda Meza.

Quando estava próximo do fim do programa Chespirito, mais um personagem fora criado: Dom Caveira – que, por sinal, rendeu pouquíssimos episódios. Trata-se do dono de uma funerária que deseja todas as viúvas que aparecem em seu escritório. Com suas piadas de humor negro, Dom Caveira consegue divertir qualquer telespectador.

Outro personagem que merece destaque é Ciudadáno Gómez, um trabalhador de diversos ramos – cada episódio aparece com um tipo de profissão. Ciudadáno já foi tapeceiro, vendedor de venenos contra ratos... Alguns quadros foram realizados no início da carreira de Chespirito, mas abandonado em seguida, retomando-se no programa Chespirito. Outros quadros especiais foram desenvolvidos por Chespirito ao longo dos anos. Ele interpretou grandes personalidades históricas como: Júlio César, Napoleão Bonaparte, Frederick Chopin, e até interpretou a si mesmo em quadros intitulados Chespirito. São quadros interessantíssimos que, felizmente, apareceram em todos os anos de vida das séries.

Chespirito também nunca negou sua paixão por grandes clássicos do cinema, atrevendo-se a interpretar a ninguém mais ninguém menos que Charlie Chaplin e Stan Laurel com grande sucesso – até um Oscar do Fã-Clube Oficial de Stan Laurel & Oliver Hardy Chespirito ganhou por sua maravilhosa interpretação. Muitos foram os quadros realizados por Chespirito homenageando estes artistas mais que extraordinários. Mas Chespirito também homenageou outros grandes clássicos do cinema e da TV inserindo em seus episódios piadas interpretadas originalmente em outras séries de sucesso, como: "Os Três Patetas", "Agente 86" etc.

Infelizmente, há um personagem de Chespirito que não durou muito tempo: Vicente Chambón. Este, era um repórter investigativo bastante atrapalhado. O quadro fora criado no início dos anos 80 para ser introduzido no programa Chespirito. No Brasil, o personagem é inédito.

O quadro Chaves deixou de ser produzido em 1992 e, Chapolin, em 1994. O programa Chespirito deixou de ser realizado em 1995.

O Programa Chespirito foi conhecido pela primeira vez no Brasil em 1997, na CNT (Gazeta). Em 2001, foi ao ar no SBT com o nome de Clube do Chaves.

(Texto de Eduardo Gouvêa, adaptado por Gustavo Berriel)

Sobre a dublagem: foi feita em dois estúdios. Primeiro, na BKS, com direção geral da Sandra Mara (Chiquinha), auxiliada por Sérgio Galvão (a nova voz de Chespirito). Depois, o programa foi para o estúdio Parisi Video, sob direção de José Parisi Jr.

Para esta dublagem, Osmiro Campos e Mario Villela foram substituídos por Sidney Lilla e Ivo Roberto "Tatu", respectivamente. Diga-se de passagem, os dois fizeram um ótimo trabalho, com exceção do Nhonho. Mas é claro que o professor Girafales e o Sr. Barriga com outras vozes causaram enorme estranhamento! O Botijão do Tatu ficou impecável, assim como o Sargento Refúgio do Sidney. Nunca vi melhor dublagem para "Los Caquitos" (Chômpiras), inclusive a melhor voz do Chômpiras para mim é a do Sérgio Galvão!

O magnífico Eleu Salvador voltou para dublar Raúl Padilla. E, felizmente, as personagens de Florinda Meza permaneceram com a Marta Volpiani, que arrasou na Chimoltrúfia!

Apesar das sentidas ausências do Osmiro e do Villela nesta dublagem, eu a considero a segunda melhor já feita no Brasil (a melhor para o Programa Chespirito dos anos 80/90). Isso se deve também à direção da Sandra Mara, uma das melhores diretoras de dublagem do país.

No começo, a dublagem não colocou risadas gravadas (claques), mas depois isso foi "corrigido".

Em pouco tempo, Chespirito se tornou um dos programas de maior audiência da CNT.

Se eu já era um grande fã de Chaves e Chapolin, em 97 eu acho que me tornei um cidadão fanático, pois foi assistindo ao programa Chespirito na CNT que eu passei a me interessar tanto por Chespirito e por todos os outros atores e seus trabalhos além de Chaves e Chapolin. Eu queria saber tudo sobre eles, conhecer suas histórias e trajetórias e, claro, saber o que faziam "atualmente" (em 97). Com a ajuda da Internet (a que tive acesso em casa no começo de 98), eu comecei a pesquisar loucamente... Visitei os primeiros sites de Chaves criados e comecei a me corresponder com os primeiros fãs: Leandro Morena, Leandro Lima, Estevan e Felipe Betschart (fundador do primeiro fã-clube, que era o site FCBCC: Fã-Clube Brasil Chaves e Chapolin)...

Em 97 o Papa João Paulo II fez sua terceira e última visita ao Brasil.

- Dublagem de Chaves na CNT: http://www.youtube.com/watch?v=FN4KZ6SAtbg
- Vinheta de intervalo de "Chaves" em 97 no SBT: http://www.youtube.com/watch?v=txxhiAo57Bs
- Confira uma abertura do programa Chespirito na CNT: http://www.youtube.com/watch?v=Pjge370qT6E&feature=related

1998

Neste ano, Chespirito escreveu o roteiro do filme "Que Vivan Los Muertos". María Antonieta gravou uma participação como Chiquinha na novela "Preciosa" (que passou no Brasil, e esta cena foi dublada por Cecília Lemes).

Na Internet, surgiam os primeiros sites sobre Chaves e Chapolin.

Os fãs foram se conhecendo por ICQ e Mirc e assim começava a se organizar uma legião de fãs de Chespirito que um dia se tornaria a maior do mundo!

(Estamos apresentando... CHespecial 25 anos)

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