#7
- Horário nobre!
Começo este episódio do CHespecial com a republicação de breve entrevista
com o Seidl sobre o começo das dublagens.
Breve bate-papo com Carlos Seidl, o dublador do Seu Madruga, sobre o
começo da dublagem Maga:
Gustavo Berriel: Você confirma o ano de 1983 como o
começo do trabalho de dublagem de Chaves, lá na TVS?
Carlos Seidl: Eu já trabalhava no Rio, mas fui pra
São Paulo no começo de 84 pra dublar o Seu Madruga. O Gastaldi, portanto,
já estava com a série desde 83. Eu fui o último a dublar, já tinha o
retorno das outras vozes em português.
GB: Afinal, o Gastaldi te dirigiu ou não?
CS: Olha, como eu sempre fazia minha parte no final
e era muita coisa, o Gastaldi não tinha tempo de me dirigir. Ele tinha
várias outras séries e era muito ocupado. Eu acabava me auto-dirigindo.
Ele me dava uns toques e me dava liberdade para improvisar. Eu dublei
vários episódios por dia, um atrás do outro, porque tinha que voltar
pro Rio.
Nos primeiríssimos
episódios dublados (O caçador de lagartixas; Seu Madruga leiteiro; Matando
aula...), Gastaldi ainda fazia uma voz fininha para o Chaves e o Chapolin.
A voz de Nelson Machado pro Quico também era diferente, mais esganiçada,
mas logo ele também achou o tom. Os episódios de dublagem mais antiga
também contam com Potiguara Lopes como dublador do Professor Girafales.
Mas ele só fez alguns poucos episódios. Logo, Osmiro Campos entraria
em seu lugar e se tornaria a voz brasileira oficial do Quilômetro Parado.
A marca mais importante dos episódios de dublagem mais antiga é a presença
de Sandra Mara, a primeira dubladora da Chiquinha. Isso porque ela dublou
a personagem durante toda a primeira fase de Chaves no Brasil. Isso
quer dizer que, até o final da década de 1980, os brasileiros só conheciam
a Chiquinha dublada por Sandra Mara. Outra coisa que vale destacar é
que todos os episódios no restaurante da Dona Florinda são de dublagem
mais antiga. Ou seja, a voz mais conhecida da Dona Neves é de Sandra
Mara também. A Cecília Lemes entrou depois e começou dublando a Paty
(no episódio O Dia das Crianças, Paty é dublada por Cecília; e a Chiquinha,
por Sandra Mara). Mais tarde é que a Cecília passou a dublar a Chiquinha
no lugar da Sandra, que foi morar fora do país. Com a chegada de novas
levas de episódios, Cecília acabou dublando mais capítulos que a Sandra.
Chaves em horário nobre
"O que esse programa está fazendo em horário nobre?", "Aliás,
o que esse programa tem que já está há três anos no ar?" Crianças
de seis anos já se deliciavam com a graça de Chaves e, hoje, aos 26,
continuam adorando aquilo tudo e rindo igual bocó. Afinal, por que o
programa está no ar até hoje? Será que é pra ver quantos idiotas perguntam
isso?
No segundo semestre de 1987, Chaves passou a ser exibido às 19h45, indo
além das 20h, sendo considerado, portanto, programa de "horário
nobre". Como sempre, o SBT não anunciou que apresentaria o seriado
naquele horário, que era ocupado pelo Show da Lucy. Certa segunda-feira,
na qual era para ser exibido um determinado episódio do Show da Lucy
(que seguia uma seqüência exata assim como o Chaves), a série voltou
para o episódio 1. E, no dia seguinte, em vez de Lucy, passou... Chaves!
Lá estava o moleque outra vez caçando lagartixas em plena noite de terça-feira.
A Lucy
tinha um concorrente que se mostrava cada vez mais forte e rico, apesar
de fraco e pobre: o Chaves, que ganhou as terças, as quintas e os sábados.
Para a Lucy, sobraram ainda as segundas, quartas e sextas.
Apesar
de a programação da emissora anunciar o horário 19h45, na prática os
programas começavam depois das 19h50, quase às 20h. É que, antes de
começar, eles exibiam o "Momento Constituinte". Esqueceram
que estávamos às vésperas da nova Constituição Brasileira de 1988? Eram
pequenas matérias e informações sobre a elaboração da mesma. Isso durava
cerca de cinco minutos. Até que essa dobradinha foi bem, porque tanto
a Constituição de 88 quanto o Chaves estão valendo até hoje!
Antes de
todas as atrações da TVS, passava uma vinheta que marcou época... Durava
mais ou menos um minutinho. Uma musiquinha acompanhava o símbolo da
TVS no espaço. Pena não ter como cantarolar aqui, mas se alguém achar
no YouTube... Postaí! Logo após a vinheta, já começava o Chaves ou a
Lucy, sem abertura nenhuma. Quando acabava a Lucy, exibiam os créditos
finais e, depois, a tal vinheta que já anunciava a próxima atração.
Era a mesma vinhetinha o dia inteiro! Já quando acabava o Chaves, NADA
de créditos e a vinheta já entrava bem em cima, cortando de raspão a
cena final.
Na primeira
parte dos intervalos, praticamente TODO DIA, tínhamos o prazer de assistir
a um clipe do popstar Sergio Mallandro. A música: "Um capeta em
forma de guri". Nesse mesmo ano, Sergio Mallandro gravou uma música
especial para o Chaves, "Foi sem querer querendo".
Aos sábados,
o Gugu comandava o Viva a Noite! VIVA!!! Era pura alegria. Minha avó
Mafalda (sim, ela se chama Mafalda mesmo, e daí?!) e eu parávamos todas
as atividades e era tudo o que esperávamos de um sábado à noite... E
quando minha avó ainda fazia uns pastéis, então... Aí era a melhor das
noitadas! Teve um sábado especial que cabe lembrar agora: era um quadro
de competições com pessoas da platéia. Escolheram uma velha feia e um
gordo de bigode, também feio. Essa disputa foi emocionante.
Foi assim:
o Gugu mostrou cenas de dois programas. Primeiro, ele exibiu um trecho
do episódio "Uma Carta para a Lucy", no qual ela conversava
com o Seu Mota. A bestona da Lucy tinha rasgado uma carta que recebera
e não sabia dizer quem lhe tinha mandado a epístola. De Chaves, o trecho
exibido foi do episódio "Aritmética ou geometria?" - justo
a cena dessa pergunta idiota repetida pelo garoto ao professor. Apresentadas
as cenas, os dois participantes tiveram que interpretar! Como? A velha
fez a Lucy, sentada numa cadeira e com as mãos sobre uma mesa (mesma
posição em que estava a Lucy no trecho); e o gordo leu as falas do Professor
Girafales, também sentado numa cadeira e com uma mesa de professor na
frente. Feitas as interpretações, a produção uniu as imagens dos seriados
às gravações dos participantes. Ou seja, era a velha (no lugar da Lucy)
contracenando com o Seu Mota e o gordo (no lugar do professor) contracenando
com o Chavinho. Eram três jurados, agora não me lembro se eram o Pedro
de Lara, a Elke Maravilha e a Flor heheheh, mas sei que eram três. E
dois deles votaram no gordo de bigode, que levou o prêmio.
Uma baixa
de Chaves (além da Chiquinha) na lista de 86 foi o episódio "Seu
Madruga sapateiro", que não passou no primeiro semestre de 1987.
Mas, depois que o seriado foi para o horário nobre, no segundo semestre,
ele voltou arrependido. Então, empatou. E virou o jogo porque também
voltaram os ladrões (que voltaram a querer abrir a janela) + Seu Madruga
carpinteiro (versão de 1974) - um "2 em 1" (o 84.6 do nosso
listão), que tinha sumido em 86, junto com outros 11 episódios.
Outras
baixas provisórias foram as quatro partes do Natal... Em 87, Chaves
não quis virar pastor. E ninguém comemorou o Ano-novo também. As festas
de fim de ano não aconteceram na vila nem na casa que fica na esquina
da rua Cachalote com a rua Baleia, na Vila dos Elefantes. Dessa vez,
o Natal foi numa praça. Às 19h50 começou o episódio do "Chaves
louco", que foi triturado para dar espaço ao especial de Natal
de "A Praça é Nossa".
E de acordo
com nossa contagem, até 1987 só eram conhecidos 84 episódios de Chaves:
1984:
79 episódios
1985:
+ 4 episódios
1986:
+ 1 episódio
Em 1987,
não estreou nenhum episódio novo.
Em CHAPOLIN,
não houve nenhuma alteração. Continuou com os mesmíssimos 22 episódios.
(Estamos
apresentando... CHespecial 25 anos)
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